Gramado: Roteiro Raízes Coloniais

Que Gramado, na Serra Gaúcha, possui inúmeros museus, creio que quase todo mundo sabe. Mas você já pensou em conhecer casas e museus pessoais que contam a história dos que escolheram morar ali? Pois foi isso que resolvemos fazer em um mês de novembro.

Foi buscando outras opções pela cidade de Gramado que fui parar em uma página que vendia diferentes passeios que saiam da rota principal. Gostei de vários, e acabei escolhendo o Raízes Coloniais pela praticidade de buscar no hotel.

Não cito o nome da empresa por ela infelizmente ter fechado durante a pandemia, o que eu particularmente achei uma pena, já que achei todo o processo e atendimento impecáveis.

Roteiro Raízes Coloniais

O motorista nos enviou um whats informando o seu horário de chegada na Pousada Vovô Nino, onde nos hospedamos, às 09:10, e pontualmente ele chegou neste horário.

Já havia um casal na van, e passamos em mais alguns hotéis para pegar outras pessoas antes de começar o passeio em si.

1 Parada: Casa Centenária

A casa de madeira com flores na entrada convida o visitante a parar, respirar com calma e admirar o ambiente que o cerca. Esta senhora que foi construída em meados de 1900 é sustentada por troncos de madeira inteiros e tem a sua história misturada com a da própria região.

Memórias de família

Fomos recebidos Loiva Ferrari, nora da matriarca da família Ferrari, descendentes de italianos que ajudaram a colonizar o que viria a ser a cidade de Gramado.

Seguindo o caminho, nos deparamos com a entrada do porão de pedra da casa, construído pelo filho do casal no ano de 1944, que hoje é a única área com acesso interno para visitação. Dentro do local foi possível ver várias peças antigas, que vão de utensílios de cozinha até ferramentas para lidar com a fabricação de bebidas e alimentos, passando por rádios e máquinas de escrever antigas.

O porão de pedra e as fotos na varanda

Em uma das paredes uma homenagem a nona Elisabeta Ferrari, que morreu em 2018, e realizava a recepção aos turistas para contar um pouquinho da sua história. Com fotos, podemos ver tanto uma de suas imagens recentes como da família em preto e branco, ao mesmo tempo que podemos comparar pelas fotos como a casa se manteve conservada.

Na parte de cima, é possível observar a parte interna da casa apenas pelas janelas, onde tudo está preservado da forma como a nona deixou. É possível ver um pouco da sala e da cozinha, os móveis antigos que parecem esperar a chegada da dona a qualquer momento. E na área externa, as fotos antigas penduradas nas paredes contribuem ainda mais para a nossa imaginação.

Ferramentas antigas e natureza

Ainda no pátio é possível observar a natureza, o pneu com flores, e para quem não resiste tem uma área com produtos da família a venda.

2 Parada: Ervateira Marcon

Aqui a família Marcon mostra aos visitantes o processo artesanal de fabricação da erva-mate, enquanto também contam detalhes da origem da bebida que é tradicional no Rio Grande do Sul e de países vizinhos como Argentina e Uruguai.

Bebida típica dos Pampas

E assim você vai descobrir, entre outras coisas, que o termo mate tem origem na palavra quéchua “mati”, cujo significado é cuia ou cabeça, que foram os jesuítas espanhóis que apresentaram a erva-mate para outros povos, e que a exploração industrial por aqui só ocorreu após o fechamento dos portos do Paraguai pelo ditador Frância.

Fabricação artesanal da erva-mate

E claro, para quem tem curiosidade, ainda pode provar e levar para casa comprando o seu pacote na lojinha ou outro produto colonial.

Momento revelação: nem todo gaúcho é fã da bebida, mas são realmente uma minoria. Como sabemos disso? Aqui somos gaúchos, moramos na capital, mas nunca tivemos o hábito de andar com cuia e garrafa térmica, em compensação meu avô tomava o seu mate toda santa manhã.

Museu Fioreze

Um acumulador pode transformar a sua coleção em um pequeno museu organizado? Descobri que sim quando conheci Nelson Fioreze, que construiu nos fundos da casa da família Fioreze um museu que mistura curiosidades e antiguidades.

Acesso ao pequeno museu

Com bom humor e típico sotaque italiano, ele conta histórias enquanto mostra os objetos guardados desde a sua infância. Que vai de um quarto completo, passando por aparelhos de rádio, máquinas fotográficas, máquinas registradoras, motos, até bicho empanado.

O Sr. Nelson contando as suas histórias

Há também relíquias, como a mala utilizada pelo pai de Nelson na viagem de imigração da Itália para o Brasil, fotos antigas que contam um pouco da história da colonização, assim como medalhas e objetos da família.

Do jacaré emplahado, passando por móveis e diferentes tipos de peças

O espaço é pequeno, então vale ouvir a explicação e depois rever os objetos mais interessantes com calma. No nosso caso, mostramos muitos objetos que remetiam a nossa própria infância para a Alice, já que eram objetos presentes na casa de nossos próprios parentes. O que acaba trazendo à tona as nossas histórias.

Natureza e fé

Ao final o convite para conhecer a Farmácia, que na verdade é uma pequena loja onde os visitantes podem degustar e comprar vinhos, graspas e licores.

Bônus: espaço para tirar uma foto bem bonita

Na área externa, vários cantinhos que são uma graça. Mostrando todo o cuidado que a família tem com um local que está passando de uma geração para a outra.

Família Foss

Parreiras de uvas e canções típicas italianas. Assim fomos recebidos pela matriarca Zulmira Foss (sim, ela tem o mesmo nome da minha mãe, que não nos acompanhou nesta trip).

A placa em meio os parreirais indica: hora de recuperar as energias

Entrando na área do restaurante, uma grande mesa cheia de fartura: pães quentinhos, geleias, salames, frios, cuca, bolo… fico com fome só de lembrar. E havia também uma outra área com sopinha quente, uma delícia. De bebida vinho e suco.

Servidos?

Mas isso não é museu, Andrea! Como não? Em um ambiente que lembra uma cantina italiana, tocando música italiana, onde você irá dançar La Bella Polenta, com bandeiras do Rio Grande do Sul e da Itália, e com uma comida literalmente da Nona. É praticamente um museu colonial gastronômico.

Produtos típicos da região

Assim como nos outros lugares, aqui também você pode sair com lembrancinhas, o que não faltam são itens comestíveis.

Aqui finalizamos o nosso passeio, quando retornamos ao hotel para jiboiar depois de tudo o que comemos.

Vale a Pena?

Nós acreditamos que sim. Para nós foi a oportunidade de conhecer um pouco mais da história de quem ajudou a tornar Gramado o que ela é hoje. Além disso foge um pouco dos passeios que normalmente se realiza na cidade, embora na época não tenha sido um passeio solitário, já que havia inclusive um ônibus da CVC passando na mesma hora que nós por alguns pontos.

Para quem ficou interessado, há um outro site que vende o mesmo passeio, com uma parada a mais, que se chama Roteiros de Agroturismohttp://www.roteirosdeagroturismo.com.br/. Não foi o que contratamos, mas pode ser uma opção para quem ficou com vontade de fazer.

E na combinação com outros passeios, vale a pena algo que você não tenha hora para chegar, nós retornamos para o hotel às 15hs, ocupando boa parte do nosso dia.

  • Passeio realizado em novembro/2019
  • Todos os custos foram pagos por nós
  • Alice estava com 6 anos e 6 meses

Curte todos os tipos de museu? Quer ler mais sobre o assunto? Deixo abaixo a lista de links de blogs amigos para que possa ler alguma das sugestões deles:

Família que Viaja Junto – Santiago do Chile com crianças: o Museu Interativo Mirador
Entre Mochilas e Malinhas – Como é a linda Casapueblo no Uruguai
Uma Senhora Viagem – Instituto Ricardo Brennand, Museu em um castelo no Recife
Vamos viajar pra onde agora – Museu Oscar Niemeyer em Curitiba
Viajante Móvel – Forte de Copacabana e Museu Histórico do Exército – Rio de Janeiro
6 Viajantes – Museo del Mar em Punta del Este

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Para quem visita as cidades de Gramado e Canela há muitas opções de passeios que propiciam contato com a natureza, boa gastronomia ou os dois juntos, como é o caso do Ecoparque Sperry e do restaurante Bêrga Môtta. Continuar lendo “Natureza e boa comida – um passeio pelo Ecoparque Sperry e almoço no Restaurante Bêrga Môtta”

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